terça-feira, 29 de junho de 2010

PREPOTÊNCIA E PRECONCEITO

ESTAMOS À UM PASSO DA BARBÁRIE


Por Christyne Rodrigues




Olho para os lados, e veja bem, sou uma parabólica que olha para todos os lados, incessantemente. Vejo líderes mundiais dizendo que os homossexuais são uma doença e penso nas campanhas de Gobbles, na Alemanha nazista; quando o alvo eram os judeus, também tratados como aberrações.
Vejo políticos desviando verbas da saúde, da educação, do desenvolvimento urbano para suas cuecas e penso: como pode?
Vejo empresários irresponsáveis economizando em infraestrutura para poder lucrar um oceano de petróleo, literalmente.
Vejo prédios caindo junto com os sonhos de uma vida inteira.
Vejo desabamentos de encostas, que não foram gerados pelo temporal, mas pela falta de investimento em urbanização, mais uma vez, dinheiro nas cuecas!
Vejo gente dormindo no chão e fumando pedra para diminuir a fome.
Vejo gente matando gente, por um pouco mais de poder.
Vejo a TV falando da copa, da moda, de curiosidades;  papos amenos, entende? Vende mais.
Vejo preconceito racial, social, de gênero e até de espécie! Sim, existem pessoas que pensam ser melhores do que outras.
Prepotência e preconceito, dois sintomas clássicos da mais pura ignorância.
Pensam ser espertos, juram que estão se “dando bem”.
Mas eu pergunto: Será que eles  compraram um passe para algum planeta habitável que só eles conhecem? Quando a água acabar, as terras estiverem estéreis e os animais extintos, para onde eles fugirão? Onde eles irão se esconder da própria vergonha?
A única diferença que vejo hoje entre os tempos da barbárie e os dias que vem chegando, é que, naquele tempo ainda havia água potável, e terra fértil; os homens se respeitavam e preservavam a vida.
Nosso grande desenvolvimento aponta, dia após dia, para uma ignorância sem fim e sem volta!
Parabéns Homo Sapiens Sapiens! 
 


quinta-feira, 24 de junho de 2010

VERDADES E MITOS SOBRE A DTV


 

Por 
Christyne Rodrigues

A TV digital é uma realidade, o mercado de equipamentos eletrônicos está em êxtase; a indústria da informação, em alta; a copa, o natal, o deslumbramento que todo o “novo” gera nos consumidores, a ânsia de se ter uma na sala de casa.
Parcelamos a perder de vista - diz o vendedor.
Imagem e som de cinema - diz o telejornal.
Interatividade total – é o que todos dizem...
Mas o que me encanta mesmo na DTV é o fato dela ser uma resposta ao desenvolvimento comunicacional de nossa sociedade. Não que eu acredite que a dita interatividade seja algo mais do que um dispositivo reativo, que ofereça ao consumidor a chance de responder pesquisas de opinião, ou de comprar facas guinsu, sem ter que usar o telefone. O fato é que, com a transmissão televisiva entrando na fase da tecnologia digital, abrem-se espaços para a produção independente, para a convergência de mídias e de conteúdos, para a diversidade que existe e transparece quando agregamos multidões.
Com a DTV em conexão global estende-se o poder da grande mídia sobre as comunicações; mas junto com este poder, amplia-se o alcance das transmissões, desenvolve-se a rede telemática. Os tentáculos do sistema crescem, mas crescem junto com ele, paralelo e competitivo, o eco das vozes dissonantes. Retoma-se o conceito do videotrash; do fundamental ao trivial;  laboratórios de criação, desenvolvimento de ideias. Um iPhone na mão e uma ideia na cabeça! Glauber Rocha ia amar isto...
Assim como um dia a internet foi criada por militares para controlar as pessoas, e, por sorte, ou destino, caiu nas mãos do povo e saiu do controle; quem sabe a DTV, criada para facilitar o resgate do monopólio da informação, caia na realidade e acabe sendo adaptada por esta sociedade emergente, criativa, colaborativa, participativa e muito “plugada”; que anda por aí, em forma de anônimos, construindo e desconstruindo conceitos. Sentidos para a própria existência.