
Por Christyne Rodrigues
Quantas vezes você já ouviu esta frase, vinda de algum amigo, familiar, ou até mesmo dito por você? Evidencia-se este tipo de comentário geralmente em época de eleições, quando começa-se a debater mais intensamente o posicionamento e as ações de cada candidato e partido. O horário político, de fato, pouco diz sobre os projetos de cada candidato. Com o tempo tão restrito, eles geralmente só tem tempo de fazer sua “promessa de campanha” e dizer seu número, mas nunca existe tempo para que eles expliquem como, por exemplo, vão aumentar os salários, ou garantir as aposentadorias, que a gente já sabe bem, são os primeiros a serem cortados do orçamento, depois que eles assumem.
Fazer política, pela ótica do setor público, é estruturar ações para o bem comum da sociedade; sociedade esta que os distintos irão representar ao apropriar-se de um cargo público. Fazer política não é vender um produto, daqueles que você compra, dá defeito e você nunca mais consegue trocar. Penso até que, em tempos de internet, cada candidato, a qualquer posto público, deveria ter um blog, descrevendo ali todos os seus feitos, seu histórico político, explicando sobre a viabilidade de cada projeto proposto em campanha (com dados factuais de preferência), esclarecendo a população. Como um currículo mesmo! Afinal, eles estão sendo contratados por nós (sociedade) e é do nosso bolso que sairão suas viagens turísticas e suas cirurgias plásticas.
Ou você permitiria que uma babá fosse contratada para ficar o dia inteiro dentro de sua casa, com sua filha, sem antes tentar conhecer tudo sobre ela? Fazer política, sob o viés da sociedade, é escolher com responsabilidade, cobrar com autoridade as propostas que lhes foram feitas, e ainda, ao perceber que contratou um “mau funcionário”, agir para desligá-lo do cargo, a fim de dar oportunidade para alguém mais competente.
Está na hora de amadurecermos, enquanto sociedade. Está na hora de assumirmos que, se o crime organizado aumenta, é porque existem pessoas corruptas dentro das instituições de poder; existe uma malha podre sustentando um sistema falido. E tudo só chegou no ponto em que está, porque brasileiro “não gosta de política”.
Para estes, eu tenho um recado; Você está o tempo todo fazendo política! Não existe um ser humano na face da terra que não pratique política, já que, política é relacionar-se, com os seus e sua comunidade. Você pode sim, fazer a política da ação, assumindo para si a responsabilidade de conhecer profundamente o currículo daquele que você contrata para ocupar um cargo público, ou se excluir, fazendo a política da passividade, da omissão. De uma forma ou de outra, você estará fazendo política.
Portanto, largue de mão este jargão ultrapassado e inócuo e vá a luta amigo. Assuma para si o compromisso de escolher alguém que trabalhe sério, só para variar, e cobre desempenho deste (a) sujeito(a).
Se você ficar aí “não fazendo política”, alguém o fará por você! Isto é fato!